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Presidente da FMF fala sobre o projeto de patrocínio aos times da Série A

Em entrevista ao site da Federação, o presidente Antônio Américo Lobato Gonçalves esclareceu detalhes sobre o patrocínios aos clubes que disputam a Série A. Confira:

 

Site: Presidente, esta semana o Governo do Estado entregou o Certificado do Mérito Esportivo, referente à Lei de Incentivo ao Esporte, com patrocínio da Cemar ao futebol Maranhense. Qual a importância dessa iniciativa?

Antônio Américo: Nos últimos anos, não só o futebol, mas o esporte maranhense têm muito a agradecer ao Governo do Estado, na pessoa do governador Flávio Dino e dos secretários da SEDEL. Nunca houve tanto incentivo ao esporte, e o futebol, como a modalidade mais praticada em nosso país, tem crescido cada vez mais com esse apoio.

 

Site: Qual o valor captado pelo projeto deste ano e quanto cada clube recebeu?

Antônio Américo: Em 2019, o valor total foi de 1,2 milhão, valor pago pela CEMAR, uma das maiores incentivadoras do esporte e da cultura no Maranhão. A divisão entre os clubes ocorreu da seguinte forma: Os 4 clubes que já foram campeões estaduais receberam R$ 115 mil, cada (Imperatriz, Maranhão, Moto e Sampaio Corrêa), aliás, este valor foi combinado, acertado pelos presidentes desses clubes. Os outros 4 receberam R$ 60 mil, cada (Cordino, Pinheiro, Santa Quitéria e São José). Totalizando R$ 700 mil.

 

Site: Quanto coube a Federação receber?

Antônio Américo: De forma clara e objetiva: ZERO! O proponente do projeto é o Instituto Maranhense de Futebol, ligado à FMF. Nem o Instituto e nem a Federação recebem quaisquer valores do projeto. De maneira irresponsável, algumas pessoas propagam que a FMF fica com maior parcela, o que não é verdade.

 

Site: Qual a destinação do restante do valor?

Antônio Américo: Antes das pessoas comentarem (nas rádios, blogs, redes sociais) deveriam buscar informações. Em primeiro lugar, a Lei de Incentivo do Esporte prevê uma série de regras para aprovação do projeto, captação e aplicação dos recursos. Do restante do valor temos várias rubricas de gastos, como: Fundo do Esporte, Elaboração, Captação, Prestação de Contas, Mídia, Impostos, Cobertura (aqui incluindo campanhas publicitárias, palco, troféu, deslocamentos ao interior, material gráfico, mão de obra, placas de publicidade, agência, VT´s, spots, equipes esportivas de rádios).

 

Site: A que o senhor atribui essas especulações quanto ao projeto do futebol, que tem ocorrido nos últimos anos?

Antônio Américo: Sinceramente, tenho dificuldades de entender porque tanta má-fé. Primeiro todo projeto passa pela elaboração e aprovação junto à Secretaria (primeiro órgão a fiscalizar a aplicação). Depois, a empresa CEMAR possui auditoria independente que verifica tudo que está previsto em lei e se foi corretamente aplicado. O Tribunal de Contas e o Ministério Público podem fiscalizar. Mas muita gente prefere especular, acusar, sem menor fundamento. E olha que o futebol atinge um contingente muito maior de pessoas. Só de forma direta, se colocarmos em torno de 50 pessoas em um clube de futebol, são mais de 400 pessoas beneficiadas.

 

Site:  Por que esse ano não houve contrato com canal de TV aberta para transmissão?

Antônio Américo: Duas razões. 1º) A transmissão por TV aberta era outro foco de polêmica. Muito se falava que no Maranhão uma TV recebia para transmitir. O recebimento pela TV não era diretamente voltado para transmissão, e sim para divulgação de toda a campanha. Todo projeto tem uma campanha voltada para o social. Já tivemos o Futebol pela Paz, Maranhão Solidário, e este ano de Combate à Violência contra a Mulher. Mas com tanta discussão vazia, optamos por retirar a mídia de transmissão por TV aberta. 2º) As formas de comunicação tem mudado. Hoje, as transmissões por streaming tem ganhado força. Fechamos com uma plataforma de transmissão pela internet, a MyCujoo. Dessa forma, conseguimos alcançar um público maior, de forma mais dinâmica, onde a pessoa pode assistir em qualquer lugar do mundo por vários tipos de equipamentos (celular, tablete, etc.). Várias Federações já faziam isso. Canais de TV aberta e paga tem migrado para o streaming (Premiere, Sportv, Esporte Interativo). Não é mais tendência, é realidade.

 

Site: Esse ano há um diferencial na aplicação dos recursos advindos do projeto?

Antônio Américo: Sim. Cada clube que recebeu recursos e assinou um termo de compromisso garantindo que participará de todas as competições das categorias de base promovidas pela Federação (Sub-13, Sub-15, Sub-16, Sub-19). É uma forma de oportunizar aos nossos jovens, não só uma porta de entrada no mercado do futebol, mas principalmente incentivá-lo à prática do futebol.

 

Site: Com o projeto, haverá premiação em dinheiro aos vencedores?

Antônio Américo: Nunca, a legislação que disciplina a Lei de Incentivo não permite.

 

Site: Esse tipo de patrocínio seguirá nos próximos anos?

Antônio Américo: Sinceramente, estamos repensando isso. Tenho me perguntado até que ponto vale a pena o esforço, para tanto desgaste, desnecessário e injusto. Nós vamos analisar com muito cuidado, refletir e discutir internamente. Uma opção é cada clube pleitear seus projetos via Lei de Incentivo, além, óbvio, de patrocínios, afinal é tarefa de cada um também.

 

Site: Presidente, por que a média de público no Estadual não tem sido tão alta?

Antônio Américo: Poderíamos apontar, aqui, diversas causas. Acredito que todos os envolvidos tem sua parcela de contribuição. A Federação pode e sempre busca novas maneiras de tornar a competição mais atrativa, nunca antes na história do futebol maranhense tivemos tantos atrativos, o Campeão e Vice-Campeão maranhense já inicia o ano seguinte com recursos que soma, aproximadamente, 2 milhões de reais; por outro lado, os clubes devem, e podem, envidar esforços no sentido de conquistar mais torcedores; a imprensa apoiar mais; o torcedor ir mais aos estádios. Porém, não podemos esquecer outras questões: a disputa do entretenimento no estádio ganhou concorrentes de peso. Jogos eletrônicos, preferência por times de outros estados e países, UFC, shoppings centres, cinemas, mais e mais opções de canais de TV etc. Essa é uma realidade em que todos precisam buscar soluções e não apenas apontar o dedo, culpar a Federação e ficarem satisfeitos. Temos a questão do Nhozinho Santos fechado, que por ser um estádio mais central, com certeza receberia públicos melhores. Quer mais um exemplo? Qual era a capacidade do Maracanã há 20 anos? Em torno de 100 mil pessoas. Na Copa de 50, 200 mil pessoas estavam no estádio. Com a reforma para a Copa 2014, foi reduzido para algo em torno de 75 mil lugares. E várias arenas, recém construídas, comportam públicos menores. Lembremos também de outro detalhe: analisemos o público nos jogos das competições como Copa do Nordeste e do Brasil. Não é muito superior ao nosso Estadual. E não são competições organizadas pela FMF e levam muitos milhares de recursos em cotas aos clubes. O que confirma o que disse no início da resposta.

 

Site: Finalizando, Presidente, o que a Federação tem feito pelos nossos clubes?

Antônio Américo: Veja bem, o futebol profissional é regulado por leis. A Federação é entidade organizadora de competições. Sempre que podemos, apoiamos nossos clubes, postergando o pagamento de taxas, registro de atletas, anuidade, transferências, anistia da taxa e de dívidas. Buscamos anualmente o apoio do Governo pela Lei de Incentivo. Mas quem quer participar do futebol profissional e amador precisa também ter meios e recursos para isso, não apenas esperar que chegue às suas mãos. Repito, fazemos sempre (e sem propagar) o que está ao nosso alcance. Ocorre que não gera notícia dizer: “A Federação deixou de cobrar tanto do clube A”; “a FMF registrou atletas do clube B e dispensou a taxa, ou sabe-se lá quando irá receber”. Dizem que a Federação recebe milhões da CBF, o que, em absoluto, também não procede.

 

Site: Presidente, agradecemos os esclarecimentos e o parabenizamos pelo trabalho pelo nosso futebol!

Antônio Américo: Estamos sempre à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas. O que não toleramos é a leviandade, a má-fé e a maledicência. Seguimos trabalhando com serenidade e honradez. Muito obrigado!